terça-feira, 30 de novembro de 2010

We all want to be wild things

Eu não tenho culpa, nasci assim meio sem lar.
Nunca fui de ser levada, e sim de levar.
Mas como isso não pratico, (Perdeu-se algo, no espírito),
fico nesse impasse. Nem fico, nem vou. E aí, como foi?
Vez por outra alguém vem - Abraços cheios de correntes.
Não dá, não me aquieto. Essa vida de terceiras motivações não dá certo.
Vezenquando paro, espero. - Vai que há um lugar, que só falta o encontrar.
Não há, existo: E com essa existência, me basto e subsisto.
Espero que não se incomodem de eu tomar-lhes pequenas parcelas;
Delas me construo lar, moldo o que falta, ao faltar -
E fujo de suas gentis cancelas.

domingo, 28 de novembro de 2010

Declarações avulsas. (Ou "Amores do passado.")

Você não fala, olha em frente. Está ao meu lado e centímetros ínfimos de nossos braços se encostam. Arrepio, estou super consciente.
Afora, existe um zilhão de universos inexplorados. Muito há para se ver em frente e aos lados. O professor permanece falando, ao redor dezenas de rostos. Mas estou apenas consciente na fração de nossas peles que se tocam.
Um universo inteiro está em você, ao meu lado. É um abismo. Existe um abismo em você e nada poderia ser melhor. Não é assustador, pois são as infinitudes que apresentam-se cada vez a novas luzes a medida que descubro algo a mais. - Uma expressão, um sinal (de dentro ou de fora). Uma nova pressão na pele.
Recentemente, redescobri novamente a mim mesma. O mundo está mudando aqui dentro e tudo que é você se fortifica dentro dele. Permanece. Seu lugar criou raízes que incrustaram-se em minha inconstância.
Você não toma café - não me conformo. Tem algo de café em você. Quando eu tomo café, meio que te beijo. Mas isso não é novidade, quando eu acordo meio que te beijo, quando eu durmo... Nossos braços se tocam - estou te beijando.
A aula continua, movo-me na cadeira. Você não fala, agora me olha. Vejo que na verdade me fala, mas de um modo diferente. Não sabe o que está dizendo. Também não sei o que estou ouvindo.
É assim, está certo. -  Não falamos sobre poesia, a vaidade dos prepotentes. - Falamos sobre não falar. Digo que quero que me "ame" não pelo que seu coração entende de minhas palavras, mas pelo que sua alma sente de meu silêncio. Portanto não falemos em coração, sim em alma. Não em luz e escuridão, mas em como aquela rajada de vento envolve tudo. Em como sinto o chão esfriar meus pés e o calor aconchegar meus braços com a mesma concreticidade que seu olhar me transmite aquela mensagem intraduzível.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

É isso aí, meus caros.

É como a gente escuta nas histórias. Quando crianças, se amavam. Crescem, alguma coisa - ou nada - acontece e de algum modo, tudo muda. Primeiro se odeiam, depois indifere. - Deus, como o nada fere.
-Eu nunca achei que ia incorrer no erro.
É normal. Separa, junta, separa, junta, gasta. Nulo.
-Somos todos humanos, baby. Estatísticas das tais histórias - Lorotas. Se puder, ensine diferente aos seus filhos. Talvez... não sei.
Disse-me que é necessário uma força de espírito imensa para não cair no habitual. - É normal?
Quem dera vivêssemos numa terra de pressão onde a maior aspiração fosse ser forte. - Mas não é. Não almejamos as virtudes certas. Sequer almejamos virtudes.

-Tem gente que tem o olho vazio. Aqui mesmo, nessa terra, no aclamado Brasil!
-Se olha no espelho. Não, não. Me olha no espelho.
-Me olha no espelho.

A formiga.

Como "algo parecido com amor, vindo de nem tantas pessoas que cada vez são mais poucas" poderia ser suficiente para alguém que precisa de todo o amor do mundo?
Não é. Nem de longe. É muito pouco. É quase nada.
Tenho de confessar: Estou desolada, meu bem.
Essa tristeza é  horrível, é a tristeza que não comove ninguém. E uma vez me disseram (eu me disse) que uma lágrima que ninguém mais sente é tão significativa como uma gota que pinga de uma torneira. - Corrija-me, se eu estiver errada.
Estou confusa, também. Não sei até que ponto estou equivocada em todos os pensamentos (percepções) que provocaram o sentimento desse texto. Mas seja qual for o erro, temo estar viciada em persistir nele. E em todos os mais.
Um anjo me disse para abraçar aqueles que me magoam, mas minha  frágil substância possui uma ânsia infantil de ser abraçada, em vez disso. Sempre abraçada. Por todo o amor do mundo. Um amor que nunca vai me pertencer.

(Eu não consigo viver sem amor. Sem reciprocidade. Mundo, você está me faltando muito. Me faltando demais. Eu não consigo viver em você.)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

(?)

Primeiro, a claridade. Ofuscante de início, como se fosse tudo, mas cujo real significado é que de fato nada ainda existia. Estamos falando de um momento numa mente, para esclarecer. Esclarecer. É engraçada é essa palavra porque se quer saber o que eu penso, quanto mais se esclarece algo mais parecido este algo fica com nada. Ao menos, nada preciso.
Deve haver uma ordem - eu penso. - Uma ordem que seja composta por desordem.
- Não se irrite, não são palavras de efeito.
Começou num banho. - É, acho que foi assim. Foi lá que começou a claridade. De repente, a ideia. A ideia sobre não ter ideia. - Óbvio, impreciso - o tempo todo lá. Como penso que deve ser a morte. Mas que sei eu?
-Um dia, me disseram: "Aposto que depois da morte é assim. Aquela coisa que você vai ver/sentir/estar/os cambal* e daí pensar: "Nossa. Como não percebi o tempo todo?"
E daí o sentimento. - Um deja vu intelectual que de intelectual não tem nada mesmo.- A questão é que a compreensão apesar de impossivelmente acima,  parece olhar, zombar. Dizer: "Quase pode alcançar o fio da minha meada, não? Pena que faltou 2 centímetros."
Mas isso - claro - Só depois da claridade.
É reconfortante, meio deliciosa, essa sensação de não saber porcaria nenhuma. Tanto, tanto, tanto. A mais. Bom, estou sendo incompreensível novamente. É que eu já disse que peça de mim qualquer coisa menos um pensamento linear. É aborrecido. Irritante.
E as palavras são uma bela invenção de merda. - com o perdão da palavra. - Então, desde o dia que descobri que as palavras são fáceis ficou muito fácil também manuseá-las. De mim para mim. Mas como tudo que é fácil, também são limitadas - E desculpe se sou surpreendentemente óbvia mas é que vá lá... Diz nada. Para mim, o ideal era que nos comunicássemos com olhares. Com toques. Queria um mundo inteiro de sentidos - Falar não é um sentido, é? Não que eu saiba.
Então de que adianta este texto? Diabo algum. A claridade, bom. Espero que não tenha sido uma impressão. Espero isso de um modo inerte, sabe? Como quem espera que mesmo lendo sem atenção, registre alguma coisa. Registre que... que...
Bom, como quem espera que esse texto termine.