domingo, 24 de outubro de 2010

Daí que continuamos aqui.

Tá tudo bem, tá tudo bem, não chora.
Esse tempo, essa prisão!
Algo quer se soltar, sair, voar - Mas o quê?
Não sei, meu bem. Se ainda existe, ou se é a lembrança do que já foi.
Confunde-se: Tempo, espaço, tempo, tempo.
Não dá tempo não - A cada minuto, um pouco a menos, a cada um que vai...
Olha, meus dedos perderam a sensibilidade. Isso é normal?
-É normal, sim. - Me disse a senhora, sentada em seu digno banco de areia:
-Uma hora ou outra, todos perdemos a matéria.
"Desrealização", disse a psicanálise.
Disse, disseram. Não adianta - Não escuto nada.
Queria uma vida nova, queria uma vida com alguém. De alguém. Minha. Sou alguém?
Queria um sorriso bonito, hoje.
Se você tivesse um olhar sincero, eu poderia passar o dia inteiro vendo isso.
Não precisa fazer sentido. - Não mais. Estou perdendo os objetivos disso.
Você quer fazer sentido? Keep trying. Se chegar a algum lugar... Bom, não vai ter como me avisar.
Enquanto isso, seguimos. Eu beijaria cada um dos olhos que expressa mágoa, se não faltasse algo.
Mas falta.
Clichês. Que tem eles? Ah, se pelo menos eu tivesse a realidade de um desses, quem sabe...
Ah, ninguém sabe.
Não, eu não tenho resposta alguma. Taí uma pessoa que não sabe de NADA.
Bom, eu permaneço com os meus
eu permaneço com os meus

...

Eu permaneço com meus silêncios de antecipação.

Interprete-me mal, se quiser.

Senti falta de mim mesma esses dias.
Tanto medo, tanta ausência, tanta "necessidade aborrecida", já diria o poeta.
E daí, o que fica? Um pássaro frágil, cujas asas não alçam vôo, cuja beleza tornou-se monótona.
Ah, não. Que piada. Isso tudo estava virando uma dramaturgia só!
Interpretando uma personagem diversa - Simples, tola, um bela de uma chacota.
Tantas vezes já me perdi de mim, volto vazia após um turbilhão de desentendidos.
Mas quando a gente se reencontra - Quanta recordação; Parece que foram-se anos perdidos.
Ah, sei lá. Acho que quando o clima está assim, fica mais fácil voltar ao lar.
Quando alguém se esconde de si - É fácil se confundir e aos outros se associar.
O problema de todo esse retorno é o quanto você percebe
Que o que achava que era tanto - não estava mesmo lá.
É tanto que já não atrai tanta atenção - Foi isso mesmo que me causou emoção?
Bom, confia na maré, guarda tudo no coração - e deixa o mar levar.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Qualquer coisa.

Cenário: Urca noturna. Esperando uma reunião eterna terminar. As nuvens? Estavam quase, quase lá.



Anoitece aqui e não lá fora.
Disseram que a natureza não é triste,
mas posso farejar quando ela chora.

Farejando sem instinto. Sem coleira, sem sentido.
Os mistérios me caem como doces adultérios.
Não vê sentido no que ouve? Nem eu no que digo.
-Não vejo sentido no que sinto. Está quente ou frio, amigo?

Está noite e chove. Vem cá, diz inteiro.
Diz a dor tua e do mundo, canta a lágrima num apelo.
Anoitece aqui e não lá fora.
Que há de tão errado que o mundo ignora?
Não ri, Sangra. Eu sei, também vi - Em chamas. Pude quase sentir.

Meu orgulho, teu orgulho, largue todos os escudos.
Vamos partir tendo abstraído algo daqui, baby?
-Olha, está tarde.
-Não, não. Está cedo.
A cada um que vai, meu coração se parte.
De cada um que fica, sinto o cheiro do medo.

Sente o gosto, amor? É grama molhada.
Chove hoje, por favor. Queria tua escultura na sala.
Minha sala, minha casa. Odeio a familiaridade. Não lhe arde como brasa?
Não preciso, não mereço.
Você não entende o sentido, e para explicar não tenho tempo.

Tenha fome, tenha medo.
Tenha ao menos a lembrança - De qualquer um sentimento,
da nossa primeira dança.

Da que não houve, eu sei. Queria voltar a ser criança -
Vamos atravessar no três?

Anoitece aqui e não lá fora.
Não tem mais quase ninguém aqui.
Você também vai embora?

domingo, 17 de outubro de 2010

(Insere aqui qualquer título besta) Parte I


Esse aqui é um conto que há 2 meses estou devendo à Mari e hoje finalmente decidi fazer. Ela me deu a imagem acima como base e daí vai. O tema é algo que sei que a moça em questão gosta muito. Inspirado nessas suas fantasias loucas de mulheres que se tornam o centro da vida dos caras. - O final posto em breve. Quando o fizer, abro para você comentar, Mari.

Parte I

-Você tá com um cheiro. Daqueles coisas...
-Que coisas?
-Aqueles coisas de pôr no lábio. Como é o nome mesmo?
-Tutti-frutti?
-É, isso aí. Cê tá com cheiro de tutti-frutti, cara.


Eu fui pra casa. Eu não sei porque ainda tento beber. Eu odeio beber. Talvez quando eu vá beber, eu tenha a ideia de que vou ser um daqueles caras de filme. Bebendo, angustiado, quase literário. Que merda, ein? Bom, eu fui pra casa.

Eu não precisava dessa de tutti frutti hoje, sabe? Não mesmo. Como se não bastasse esse apartamento pequeno, branco, vazio. Essa cama revirada, esse clima cinza, eternamente deprimente. Essa vida eternamente deprimente.

Esse monte de livros, amontoados. Um monte de conhecimento que não me acrescentou droga alguma. Um monte de música que não me transmite mais nada. A barba por fazer no espelho e meus olhos que me parecem de um estranho.

-Merda, estou acabado.

________________________Tempos antes:____________________________

-Merda, já está acabado!

Tive um susto. Um palavrão assim, numa voz feminina dessas. Olhei para trás e só vi a boca.

Eu estava do lado de dentro do cinema, comprando pipoca e ela estava olhando para o aviso de sessão lotada fixada no vidro que nos separava. Um cartaz escondia justamente a parte de seus olhos. E eu só via a boca. Era uma boca bonita para o diabo.

A garota com quem eu estava saindo me chamou. Ela era legal, bem legal mesmo. Mas o filme inteiro eu só conseguia imaginar a tal boca lá. Eu era um idiota por isso, sabia. Mas não teve jeito.


No final do filme, dei um fora na menina. Nem sei direito porque fiz isso, acho que estava me cansando a ideia de ter que sair de casa novamente em algum tempo próximo. Ela me deu um tapa na cara, em cheio. Diabos, aquilo doeu. Não sei mesmo porque as garotas gostam de mim


Alguns dias depois, fui num clube de blues que abriu perto do apartamento. Era coisa de um amigo meu e tinha tudo para dar errado, até porque o cara tinha jogado todo o maldito dinheiro naquilo. Mas haveria mulheres e bebida - e naquele tempo eu estava empolgado em tentar beber. - E música. Muita músia. - E naquele tempo, isso importava. E como.


-Mas que merda!

Eu ouvi, quando estava na calçada do tal lugar. Olhei para trás, demorando para reconhecer a voz.

-Diabos de menina para falar palavrão... - Eu murmurei para mim mesmo, só. Ai de mim querer que ela viesse com aquela boca suja para meu lado. - Bom, e falando nisso...

Era, de novo, a única parte que estava dando pra ver do rosto. Tinha tropeçado na calçada e parecia que o salto tinha quebrado/ emperrado/ sei lá, essas coisas que salto de mulher faz. Daí ela estava abaixada, o cabelo loiro - Sim, era loiro - caindo sobre a cara enquanto ela olhava para baixo  e só dava para ver aquela boca totalmente apelativa murmurando um monte de merda. Que beleza!

Eu entrei, mesmo que com uma certa curiosidade. Ela era bonita, sim, dava para ver agora. Mas eu não sou idiota. Dá para reconhecer uma mulher problemática de longe.

O clube estava cheio e tal e eu até dei um bom crédito ao meu amigo. Era um ambiente maneiro, luz baixa azulada, um mini palco com banda, onde alguém ia cantar. Enquanto isso uns caras entoavam uns saxofones acompanhando uma música que saía de um gramofone bem legal. Muito mesmo.

Eu pedi duas doses de qualquer coisa para uma mesinha e fui cumprimentar meu amigo. Um sujeito bem legal.
Estava emocionado por eu ter ido. Surpreso até, diria. Meio que ficou com o olho arregalado quando eu bati em seu ombro.

-Cara, eu tinha certeza absoluta que você não vinha! - Ele disse com um jeito totalmente sincero que eu achava bem legal.

"Diabos." - Eu pensei, "Eu devo ser o maior otário mesmo." 

Mas tudo bem, já tava indo sentar, quando escuto  -

Não é que era a tal menina quem tinha começado a cantar?

A voz dela, como eu tinha observado antes, era muito feminina mesmo. Era super afinada, e olha que eu entendo mesmo dessas coisas. Ela tinha um jeito de se mexer discretamente sensual, enquanto cantava. Encolhia os ombros e ficava meio que se inclinando, sabe? Ah, não sei mesmo explicar, mas era bem sexy. Todo mundo começou a dizer uns comentários idiotas, falar que ela era sem graça só porque não estava abrindo as pernas e tirando a roupa enquanto cantava. Esse pessoal tem um conceito de sensualidade bem ferrado.

A questão mesmo é que por algum motivo, a menina teve a maldita ideia de colocar o cabelo na frente da cara. Tinha uns fios escorrendo e eu imagino que até deveria dar para enxergar os olhos dela, mesmo com isso, mas eu sou míope como o diabo e só conseguia ver a boca mesmo.

Aquela maldita boca já estava se tornando um personagem.

Ela acabou de cantar e jogou o cabelo para trás. Eu tinha consciência de que ela estava jogando o cabelo para trás e dava para ver os olhos e tal. Mas e se eu te disser que simplesmente não olhei para os olhos dela?
Naquela hora eu estava meio que hipnotizado, de um jeito idiota. Acompanhei a maldita boca da menina enquanto ela descia do palco, pegava o casaquinho e pedia uma lata de soda para levar.

Continuei olhando enquanto meu amigo agradecia a ela e tal e ela já estava chegando na porta do clube quando eu, num só impulso, levantei e a virei para minha frente assim, segurando pelo ombro e pronto.

A droga do cheiro de tutti frutti me atingiu como um gancho de direita enquanto eu beijei essa garota. Por algum motivo, ela me correspondeu. Ela tinha um beijo assim, não sei como explicar, sabe? Ela não era só beijada, ela me beijava também. Isso era tão incomum, era tão... Isso me deixou em fogo, na hora.

Daí eu a afastei. Assim, ainda com a mão segurando o ombro dela e daí vi:

Ela tinha dois olhos gigantes meio curiosos. Surpresos, infantis, quase ingênuos. Dois olhos que - perdão o clichê, mas eram azuis.

A menina tinha uma boca de mulher, uns olhos de criança e falava palavrão como o diabo. Eu ri.

Ela estreitou os olhos, desconfiada:
-Que foi, quer dizer que eu não beijo bem?

-O quê? - Minha voz falhou, confesso. Mas é que veja bem, por essa eu não esperava. Um total estranho a beija do nada e sorri, e o que ela quer saber é se é porque ela não beija bem? Ela era maluca, para completar a lista.

-O que foi, você quer que eu lhe mostre que... - E já estava se aproximando de novo, com uma expressão, assim, obstinada. Tão absurda. Eu estava tão absorto. Segurei os ombros dela.

-Ei, ei. Calma, espera. - Minha voz estava saindo sorrindo, não conseguia evitar. -Vamos tomar algo, tá certo?

Ela estreitou de novo aqueles olhos grandões, e murmurou alguma coisa em concordância, como um bichinho. Eu sorri e continuei sorrindo enquanto íamos de lá para uma lanchonete próxima. Estava sorrindo como um babaca e parecia que todo o ar ao meu redor cheirava ao tal tutti frutti. Parecia que todo o ar tinha de repente ficado diferente. Tudo.

Sentamos nos banquinhos da lanchonete e ela escolheu alguma coisa doce para comer. Eu sorri, olhando para frente, não para ela:
-Engraçado, eu nunca tinha conhecido uma pessoa maluca de verdade.

Ela me deu um tapa no ombro que quase me fez cair da cadeira.



(...)Continua.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

E eu lá vou saber.

Você quer que eu fale de mim. Você quer? É isso que todo querem: Eu não sei porque, mas todos querem saber do outro ao mesmo tempo que não se importam com o outro.
Mas você quer que eu fale de mim? Pior, quer que eu entre em mim?
Quer entrar em mim?
Vamos lá.
Em mim.
Você quer minhas tripas, meu coração? Que eu as arranque. Está exigindo, certo.
Está exigindo mil coisas. Tudo bem, eu entrego. Você vai fazer melhor uso delas mesmo. "Quem sou eu". Está mesmo me perguntando isso? Como diabos eu vou responder uma pergunta idiota dessas? Eu já mudei tantas vezes que nem sei como ainda tenho o mesmo nome. Ou porque eu tenho nome. Por que temos nomes? Você consegue viver dia após dia sem questionar-se nada disso?
Não devíamos ter nomes. Ou no mínimo, ter vários nomes. Devia ser aprovada uma lei que nos permitisse ter vários nomes. Espera um pouco, uma lei?
Não devíamos ter leis.

E não, eu não sei quem eu sou. Nem se sou só uma. Nem se sou o que vejo. Principalmente, se sou o que sinto. Por isso, digo logo, eu não respondo por mim. Quer uma primeira pessoa singular? Então vá pra lá, aqui você não vai encontrar isso. Eu não sei. Eu nunca soube. Todos os dias não parecem "tododia". O tempo todo é diferente.

Mas mesmo assim, você continua querendo que eu responda por mim. Promessas? De quem? Da "eu" de agora? Da do passado? Da de mais tarde? Fidelidade? A você? A mim? A meus princípios? E existe isto?
Constância? Em relação a quê? Pra quê? Pra se sentir mais seguro? Todos vocês precisam se sentir mais seguros. Todos vocês estão errados. Estamos. Estou.

Você quer entrar nas almas? Quer total acesso, quer que eu abra minha alma? Pra quê, pra tirar satisfação comigo depois? Para exigir? Por amor? O amor não existe. Eu entendi, finalmente. E não, não é amargura. Eu, que tantas vezes senti bastante. E por todas estas, aprendi que é impossível esse conceito. Que somos incompletos demais para isso. E que sequer é uma boa idéia. Existem sentimentos, sim. Intensos. Motivações, também. Sinceras. Mas essa conversa de amor não existe. A gente acha que sente. EU acho que sinto. Mas o que existe são seres humanos e eles são tão tão - É complicado.

Mas e daí, sem tudo isso, você vai ter o quê ein? Fica difícil. Porque afinal, o que você quer? O que quer com minha alma, com o que é dos outros? Quer viver, se sentir vivo? Quer morrer, é isso que você quer? Porque ultimamente anda parecendo que o que todo mundo quer é morrer. Ou então que já estão mortos.

Você mata, você também comete suicídio. Você morre, você também comete homicídio.
Ah, se entendêssemos isso!

O tempo todo, parece que estou falando numa linguagem diferente das pessoas. Por que (quase) ninguém mais está absorto? Por que é tão difícil? Se todos percebêssemos como tudo está absurdo, estaríamos todos chorando. Não, estaríamos todos nos beijando e abraçando. Ou não, sei lá.
Não, eu não quero abrir minha alma para você. Porque você não sabe o que fazer com ela.
Porque você a quer pelos motivos errados.

domingo, 10 de outubro de 2010

Confissão

"E eu nunca vou pertencer a um só desejo humano.
Nem nunca encontrarei a plenitude completa em um abraço.
Veja só, a minha alma não é refém de um só plano
Ela pertence a algo muito além do que o acaso.

Eu me encontro mesmo é no asfalto da madrugada.
No vento, na rua, e no que já não está mais lá.
Eu me encontro é numa prece perdida,
Numa história vendida, e quem sabe, até no mar.

Não tem como te oferecer um coração íntegro,
Se ele já nasceu faltando tantos pedaços.
Meu sentimento é repartido pelo omisso,
Transfigurado pela humanidade e seus rasgos.

Meu sentimento é maior que esse mundo,
É maior que tuas preces.
Milhares de vezes nasce, vive e padece
Entre a boca da noite e o sol raiar.

Minha substância faz parte dos astros,
É companheira da lua.
Ela encanta, em prata nua,
Só para depois para longe bailar.

Eu prefiro viver assim, derramando esta alma,
Esta criança malcriada, que teima em se aquietar.
Portanto se um pedaço tão grande te ofereço,
Sem condição, validade ou preço,
Tente somente aceitar."

O rapaz do sorriso de quem leva um tapa.

Um olhar tão angélico!
Jeito travesso: demônio clérigo.
Vaidade que se estende! - Ele gosta de ser olhado, - e quem não gosta?
E as atenções rapidamente o cobrem; quando engata sua prosa!
Mas no escuro e na angústia, colho todo seu pavor.
Você é o anjo caído, garoto. Você é o antídoto do amor.

A beleza violenta na brutal sensibilidade,
o garoto que se prende no virtual da realidade.
Tenta fazer suas palavras sinceras e suas idéias virtuosas!
Mas a oração não mente; Sua substância é pavorosa.
Não me leve a mal não, não te quero nenhum bem.
Tampouco sou sádica, sou prática; Nunca fui de ficar sem.
Prefiro pensar que o que eles vêem não passa de açúcar amargo.
Então se divirta e então, quando o vazio lhe retomar,
Venha comigo, amigo. E não me dê nenhum sorriso.
Não sei se já percebeu, mas gosto mesmo é dos banidos.

sábado, 9 de outubro de 2010

O famoso "Céu de algodão";

Céu de algodão: O coração lá emcima,
O mundo inteiro no chão.
Dois palmos, mas um bocado. Um sorriso quase
cantado, um prender de respiração.
O tempo parou em um só momento,
Fechei minha mão e fechei nela o vento.
Sua expressão se apressou, seu olhar urgiu lento,
sem motivo e sem contento, pôde quase sorrir
O céu veio mais abaixo, os pássaros congelados
Minha cabeça virou de lado, e pisquei o olho mágico:
-Não se preocupe, eu também vi.

Vômitos III

Eu preciso dormir, esquecer. Que estou anestesiada, que deveria doer não dói agora mas doerá em breve. Que as coisas se perdem acabam terminam e corações quebram e poderíamos ter sido felizes e talvez você me odeie deteste mas muito provavelmente e como pior hipótese você me nada. Nada sente falta nada quer nada espera, está cansado assim como eu pareço e dou a entender que estou muito embora às vezes sinta que há espaço em mim para mais bem umas 3 vidas com você e seríamos seríamos seríamos. Sería. Se. Nada.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

As várias faces de um romance

Falta de sono, falta de vigília. Frio na barriga ou repugnância.
Olha, agora me sinto como uma criança: É impossível não ousar com você.
Beijos no escuro e tiro no escuro. Tiro certeiro e o gosto do beijo.
Numa noite me invades, na outra te expulso. Te bebo e vomito - em doses salgadas.
Discussões, discussões. O que você espera? Ternura e cautela?
Nunca disse que era fácil ou que era maduro.
Nunca pintei meu retrato colorido em sua tela.
Se numa hora foi intenso - Se chamou-se amor; E guiou-se por instintos, desafiou meus limites;
Você soube ceifar-lhe a substância e o calor; Enegreceu-lhe a tez, desfigurou-lhe a cor.
Espera, eu estou com saudades. - Ah, não, foi só o vento da minha cidade.
Foi só nossa cidade que nos deixou com cor de pintura.
Foi a liberdade que nos mostrou sexo como ternura.
Foi só uma dose estúpida de irrealidade que nos transfigurou a dura e dura - realidade.
Esquece, foi só delírio de uma violeta murcha.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Da série 'Receitas supreendentemente simples',

Apresentando hoje: "Como perder uma pessoa que se importa com você"


Tempo de preparo: Semanas, meses ou até anos.


Ingredientes: Descaso, desinteresse, criticidade, impaciência.


Misture tudo e coloque numa tigela. Bem gelada, de preferência:


Passo 1:
Comece, aos poucos, a tentar estabelecer menos contato com a pessoa. Nada de iniciar conversas ou perguntar coisas casuais.
Passo 2: Fale mecanicamente. Aja como se comunicar-se com aquela pessoa fosse uma atitude de praxe e não movida por seu interesse.
Passo 3: Critique ao extremo. Demonstre impaciência e irritação até nas mínimas atitudes daquela pessoa. Aja como se não visse nada de importante em nada que ela faz.
Passo 4: Mostre desinteresse. Não tenha paciência para escutar, ficar perto, passar o tempo.
Passo 5: Tenha outras prioridades. Desmarque planos no último momento. Aja como se qualquer coisa fosse mais importante.
Passo 6: Caso essa pessoa tente conversar a respeito, desconverse. Demonstre mais desinteresse ainda como se aquele assunto fosse chato, irritante ou até absurdo. Deixe-a falando sozinha.



Pronto. Repita os passos continuamente e adicionando mais frequencia com o passar do tempo. No começo, talvez, a pessoa manifeste raiva, irritação. Daí ela pode tentar demonstrar um descaso igual - mas essa etapa é curta. Por conseguinte, poder-se-á perceber uma visível tristeza na pessoa em questão. E daí, enfim, num tempo que talvez demore, mas com certeza chegará...
Puff. Ela não vai mais se importar.

sábado, 2 de outubro de 2010

Eu tive um sonho ruim. Me abraça?



(Toda essa fragilidade alheia (e própria) quebra meu coração. Quebra mesmo, baby.)