quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ela

"E ela, que não podia caber em si mesma, quanto mais nos outros?
Uns dizem que ela enlouqueceu, outros que ela caiu em ruína pelo tudo que fez, mas se você quer saber minha opinião, eu acho que ela estava cansada. É isso mesmo, eu acho que ela estava somente cansada."

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sobre a boêmía

E agora...
Cadê a sua música erudita e sua prosa tão bonita?
Um livre boêmio de coração ferido.
Madrugadas enrolados em lençóis
O amanhecer sendo nosso único inimigo.
Você passaria a noite acordado falando daquele ou do outro quadro.
E quando ficasse claro me tiraria do quarto, e só de lençol, correríamos.
E todos os que o amassem seriam seus escravos,
E os que o criticassem seriam só bastardos.
E eu seria sua deusa por todo o noite e dia.
Mas quando eu reclamasse de algo, de lado me poria.
Falava que sexo era o suprasumo do amor em poesia pura
Ressucitava autores ausentes, se derramava em verborragia.
Atinava ordens a seus admiradores,
Eterna criança megalomaníaca
E em momentos em que só te restasse o pranto
Era a meu ombro que recorria
Mas e agora, meu caro personagem ensaiado?
Onde está sua música erudita?
Sua imagem tão aclamada
Foi forjada e foi vendida
Não enxergo mais a beleza selvagem
Do menino que pintaria o céu em poesia
Vendeu-se ao mundo, ficando imundo.
Fracionadamente, secou seu mel
Na vaidade que o consumia.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Amores imperfeitos e etc.

Dói quase sem doer, dói como dor de fome:
doendo pelo que não está lá.
Quem dera tivéssemos tido uma grande briga,
quem dera fosse nossa intriga
Que estivesse a me machucar.

Dói em conformação. Dói só pelo lembrar
Posto que veio livre e partiu em canção
De duas mãos juntas, de um só suspirar.

Veio e foi, meu amor. Nosso amor se dispersou.
Para onde ele foi, eu não sei.
Talvez o reencontremos outra vez
Posto que tudo se transforma,
talvez ele tenha ido encantar alguém
Mas em nós ele morreu; Boa sorte, adeus, amém.